diálogos

diálogos: viajar e a infância

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Por muitos anos, enxergava a ideia de viajar e a materialização desta com lentes de glamour e requinte. Me permitia folhear jornais e revistas, me deliciando e frustrando ao ler anúncios de viagem.

Na minha infância, sempre tive a oportunidade de viajar ao menos duas vez por ano e me era um grandioso evento. As viagens sempre bateram os os períodos de férias escolares, o que me fazia pensar que era algo extremamente trabalhoso e caro, mesmo que me tirasse pouquíssimos dias de casa, entre três e cinco, se isto incluísse uma estadia em hotel.

As minhas férias eram formadas por uma tríade: íamos para casa de parentes maternos no interior de São Paulo,  na cidade de Agudos; visitar meu avô materno no litoral paulista, em Itanhaém; e ir a um hotel fazenda na cidade de Águas de São Pedro no interior paulista. Era uma tríade que me dava um quentinho no coração e me deixava imensamente animada com a possibilidade de novidades e a experiência de uma nova rotina.

Apenas quando entrei na faculdade que a repetição dos lugares, começou a me incomodar e esse incômodo deu início à toda uma reconfiguração mental da ideia de viajar que eu tinha. Tal incômodo me fez ter sede de conhecer novos lugares a cada viagem e pesquisar lugares que eu jamais pensei que existisse.

Voltando às lembranças de infância, a ideia de viajar envolvia todo um rebuliço de preparação. Amava fazer a minha própria mal para ter o prazer de separar as ditas “roupas de sair”, as minhas melhores roupas. Esse movimento me permitia imaginar todas as aventuras e diversões que me esperavam.

A repetição dos lugares se dava em muito por conta da formação dos meus pais enquanto indivíduos, que gostavam (e agora ainda mais) de um porto seguro, de lugares conhecidos. Além disso, entendo como uma questão de classe e referências culturais. Anteriormente, eles não tinham acesso a muitas informações para conhecer novos lugares e de fato, a prioridade  sempre foi a tranquilidade.

Na adolescência, conheci uma garota nas aulas de teatro que me fazia crer que ali estavam as férias mais incríveis possíveis. Ela me dizia que logo no primeiro dia de férias, eles saíam de carro sem rumo e paravam em um posto, ali abriam o mapa  de olhos fechados, seu pai pousava e o dedo em algum lugar e esse seria o escolhido para aquelas férias.

E você?

Como eram as suas férias na infância? E sua ideia sobre viajar?

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