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Mulheres Viajantes: Viagem Original ~ Caroline Machado

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Fiquei impressionada com o relato da Emilly Laíse. Ela mostrou ser uma guerreira por ter superado todos os traumas e persistido nos seus sonhos. Ela viajou pra todos esses lugares bem no espírito das viagens de mochileiros low cost, usando Couchsurfing e caronas.  Emilly você é incrível, virei sua fã , um dia irei viajar pra tantos lugares assim e  por favor, escreva mais sobre as viagens, deve ter muita coisa pra contar ainda. E com a frase dela, eu começo o meu post: nós nascemos sozinhas e morremos sozinha. Então viajar sozinha é natural.

Aos dezoito anos eu decidi ir pra Buenos Aires, só porque a passagem estava barata e sempre tive o sonho de sair do país.  Não encontrei ninguém que pudesse ir comigo e como já tinha comprado eu teria que ir sozinha mesmo. Mas sem problemas coloquei na cabeça a mesma frase que a Emily!

Ao planejar minha viagem já percebi que o fato de ser uma mulher viajando sozinha faz toda a diferença. O meu plano inicial era ficar na casa de alguém pelo Couchsurfing, porque poderia ficar hospedada na casa de um morador local, aprender seus costumes, saber como é a vida na sua cidade e até praticar meu inglês de cursinho barato. Ele é o único jeito de você saber que os alemães bebem cerveja no café da manhã de domingo, entende? Eu estava afim de ter esse tipo de experiência, além de não pagar nada por hospedagem.

Então, eu publiquei na plataforma  sobre a minha viagem e só homens foram falar comigo e alguns se ofereceram para me hospedar. Fiquei um pouco incomodada com isso, porém escolhi ficar na casa de um argentino que apesar de estar com uma foto estranha, tinha muitas referências de outras meninas falando que se hospedaram com ele, dizendo que tinha sido boa experiência e ele havia levado elas pra dançar tango (ui ui).

Lendo as referências e analisando o perfil, ele parecia um bom host (termo para anfitrião em inglês, como é usado no couchsurfing), se algo desse errado, eu poderia deixar uma referência péssima pra ele. Então, combinei de ficar na casa do argentino (não revelarei nome).

Avisei a minha mãe onde eu iria ficar, porque quando você viaja sozinha, por segurança é importante deixar o endereço de onde você está com alguém, caso algo ocorra.  Porém, ela acabou com os meus sonhos entusiasmados, pois achou muito perigoso uma menina ficar na casa de um cara. Eu fiquei revoltada na época, mas hoje eu vejo que seria bem arriscado, porque eu marquei um encontro com esse argentino que foi um pouco estranho, mais abaixo eu conto como foi.

Tive que achar uma segunda opção, pensei quarto compartilhado em um hostel que é bem barato. Mas minha mãe me acabou com a minha escolha de novo, com o argumento, que um quarto unissex teria homens que poderiam abusar de mim (Eu nunca li nenhum relato sobre isso, gostaria de saber se essas coisas acontecem em hostel mesmo, se alguém puder me mandar).  Existia a opção de um quarto compartilhado feminino, que ficaria um pouco mais caro. Cedi para ela e reservei um quarto no hostel com 7 meninas. Só meninas. Assim minha mãe ficaria mais tranquila.

Assim, parei no Hostel Suites Obeliscos na Av Corrientes em Buenos Aires em um quarto que tinha peruana, boliviana, brasileira e até uma japonesa. Achei excelente porque pude conhecer pessoas do mundo todo.  Por causa disso, houve poucos momentos em  que eu fiquei sozinha. Conheci muita gente no hostel e como tinha muitos brasileiros estava sempre saindo com alguém.

Durante os primeiros 5 dias fiz vários passeios com um brasileiro e um alemão. Eles também estavam viajando sozinhos no mesmo hostel que eu e as nossas programações se encaixaram.   Os dois foram muito respeitosos, me trataram como igual, em nenhum momento se mostraram interessados em ter uma relação mais íntima o que me deu confiança de andar com eles. Sou muito grata pela presença deles na minha viagem, consegui ter boas fotos graças a isso.

                         

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Rosedal com o brasileiro Ritchie, o alemão Adrian fazendo 7 com os dedos de 7×1, o argentino Facu (amigo do Adrian) e a bandeira do Brasil de cabeça pra baixo

       

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O pessoal do hostel, meninas do mundo todo

Lembram do cara que seria meu host no Couchsurfing? A gente combinou de sair pra dançar tango, fomos em uma danceteria que tinha uma banda tocando milonga ao vivo e muita gente dançando. Nós dançamos juntos e eu fiquei meio desconfortável, mas achei que era da dança mesmo.  A noite foi agradável, conversamos sobre como é morar na Argentina e como era a política de lá.

Depois ele me falou que queria ir pra outro lugar que era diferente daquele e que eu iria gostar. Era um grande salão em que as pessoas dançavam tango, só que estava bem mais vazio. Lá ele pediu pra mim uma medialuna e um fernet com coca cola, pra que eu pudesse experimentar. No meio da conversa ele já falou que tinha me achado muito bonita, eu disse pra ele que não ficaria com ele porque eu só estava ali pra fazer amizade.

Quando a gente foi embora, nem demos muitos passos e ele me falou que estávamos na frente da casa dele. Ele me pediu pra entrar, porque tinha coisas legais pra me mostrar e eu na minha ingenuidade acabei entrando.  A casa era escura, cheia de infiltração e tinha umas coisas bizarras na parede, pensei que tinha sido ótimo minha mãe não ter deixado eu ficar ali. E esse pensamento se confirmou, porque ele tentou me agarrar lá dentro, eu me desesperei pra ir embora porque eu não queria nada com ele. Saí correndo de lá, sem fazer ideia de onde eu estava.  Tinha perdido toda a noção do tempo, estava às 3 horas da manhã na rua sozinha. Dois taxistas fizeram piadinha comigo na rua. Mas consegui pedir informação pra um local, pelo menos pra chegar na Nove de Julho que é mais movimentada e fui andando até o hostel.

Foi um grande risco, mas eu dei sorte, que o cara não era um psicopata. Só era um solitário.  Tirando o final, o passeio até que foi interessante, eu já tive a oportunidade de sair com outro cara do site, mas aqui em São Paulo e o passeio foi tranquilo sem ele tentar ficar comigo. Eu já tive a oportunidade de sair pra mostrar São Paulo para um francês do couchsurfing e ele não tentou me agarrar nem nada, não são todos os  homens de lá que são assim.

Outra coisa é que andar a noite sozinha foi perigoso, teria sido melhor ter pegado um táxi ou ter ido embora mais cedo. Eu só fiz isso de novo, com um grupo de viajantes do hostel.

Muito mais do que conhecer uma cidade, viajar sozinha é conhecer a si mesmo, uma das máximas da filosofia. É tirar todas as suas cascas se desdobrar em situações mais bizarras possíveis e intensas. Mas é sempre bom estar bem preparada, tomar algumas precauções saber falar algumas frases para pedir socorro na língua local,ter um taxista de confiança , saber o número da emergência, etc. Mas pode ser que você não precise de nada disso e tudo dê certo, assim como aconteceu comigo. Ter fé de que tudo vai dar certo, ajuda a atrair coisas boas.

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