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Mulheres Viajantes: ~ Ilaria Tosi

Ao contrário de muitas pessoas que já crescem com algo específico em mente (fico com mó inveja de quem com 15 anos já sabe o que quer se tornar – médico, arquiteto, historiador ou qualquer outra coisa), eu nunca tive tal ideia clara na cabeça, mas uma coisa eu sabia: adorava viajar. Ou, melhor, sabia que ia adorar viajar. Sim, porque com 18 anos ainda não tinha ido a muito lugar, afinal era muito jovem e não tinha um salário meu para gastar.

Tendo que escolher qual universidade começar, me baseei num ponto só: qual faculdade me faria viajar o mais possível? A de línguas estrangeiras. E assim foi.

Tudo começou com o Reino Unido, seguido por Portugal, Brasil, Estados Unidos e Alemanha. Até voltar novamente ao Brasil em 2011 para um estágio de três meses. Bom, esses “três” meses se tornaram 5 anos. Simplesmente aconteceu. O tempo passou e a vontade de ficar ficou.

Admito ter uma boa capacidade de adaptação (sim, considero isso uma qualidade minha), pois bastam poucos dias para me acostumar com o “novo tudo”. Clima, língua, estradas, pessoas.

Já conhecia o Brasil. Tinha visitado lugares incríveis por duas semanas em 2008 e tinha estudado seis meses na UNESP de Assis, interior de São Paulo, em 2009 (essas duas viagens mereceriam um texto a parte!). Mas a última vinda ao país foi “fatal”.

Nasci em uma cidade bem pequena, de um pouco mais de 100 mil habitantes chamada Terni, no centro da Itália (nem tão pequena se for pensar, mas perto de São Paulo muitas se tornam formiguinhas) e o gigantismo de Sampa e do Brasil me conquistou.

Foto: Sobrevoando os lençóis maranhenses, 2011

Provavelmente não bastam 7 vidas para conhecer tudo que este país incrível tem para ser visto. Um exemplo? Os lençóis maranhenses. Enormes extensões de areias que formam dunas e lagoas que tiram o fôlego no extremo nordeste do país.

Foi minha primeira viagem sozinha dentro de minha viagem sozinha. Fiquei hospedada duas noites na casa da família da mulher que morava comigo em São Paulo (ainda minha amiga e “mamma brasileira”) e daí, em uma camioneta que por 4 horas atravessou lugares vazios e imensos, cheguei a Barreirinhas, porta de entrada aos lençóis.

É surpreendente como fazer a mala e embarcar em uma aventura sozinha seja estimulante. O que acho mais precioso em tudo isso é a sensação de liberdade que invade corpo e alma. Você pode estar no meio de um grupo de turistas admirando um pôr-do-sol único e, ao mesmo tempo, não sentir a presença deles. É só você, a natureza e aquilo que você quer sentir naquele momento.

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Foto: Ilaria Tosi – Lençóis maranhenses, 2011

E isso acontece comigo quase todos os dias. As avenidas paulistas cheias de pessoas viram um espetáculo de roupas, olhares, vozes e movimentos. O Brasil me acolheu egregiamente e poucas vezes me senti sozinha (claro, sempre tem momentos de solidão, saudade e insegurança), mas não posso que ser grata por todas as pessoas que conheci, pelos lugares que visitei e pelo legado que ganhei.

Um ponto positivo de uma italiana morando no Brasil? Um monte de outros italianos que te fazem sentir em casa! Até da sua mesma pequena cidade com a qual você falará seu dialeto e comerá aquela pizza gostosa que você tanto ama.

Viajar é sem dúvida a única coisa de que nunca cansarei.

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